Voz das Águas – Edição 8


Voz das Águas 08Matérias desta edição

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Conselho Consultivo do Parque Estadual da Costa do Sol toma posse em São Pedro da Aldeia

Mesa das autoridades na posse dos conselheiros do PECSol, realizada no Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia. (Fotos: Edimilson Soares)

Mesa das autoridades na posse dos conselheiros do PECSol, realizada no Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia. (Fotos: Edimilson Soares)

Realizou-se em abril, a posse do Conselho Consultivo do Parque Estadual da Costa do Sol (PECSol), no Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia. Os conselheiros foram empossados pelo Diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), André Ilha. Participaram da cerimônia de posse representantes de todas as secretarias ou coordenadorias de meio ambiente dos municípios da região, o chefe do PECSol, Sérgio Ricardo, o superintendente regional do INEA, Túlio Vagner, o chefe das APAS da Massambaba e da Sapeatiba, Luiz Vieira, entre outras autoridades.

Desde o ano passado, realizaram-se no auditório da Universidade Estácio de Sá, em Cabo Frio, reuniões para a formação do Conselho Consultivo do Parque Estadual da Costa do Sol (PECSol). Inicialmente, foi feito um Diagnóstico Rápido Participativo (DRP) do PECSol, coordenado pela engenheira florestal e chefe do Serviço de Diagnóstico Social do INEA, Márcia Barroso. O PECSol abrange várias unidades de conservação, situadas em 6 municípios (Saquarema, Araruama, Arraial do Cabo, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Búzios) e 3 Áreas de Proteção Ambiental (APAs): a APA da Massambaba, a APA de Sapeatiba e a APA do Pau Brasil.

O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do INEA, André Ilha, entre os secretários de meio ambiente de São Pedro da Aldeia, Luciano Pinto e de Saquarema, Gilmar Magalhães

O diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do INEA, André Ilha, entre os secretários de meio ambiente de São Pedro da Aldeia, Luciano Pinto e de Saquarema, Gilmar Magalhães

Participaram das reuniões membros dos Conselhos Consultivos das 3 APAs, técnicos, ambientalistas, estudantes, lideranças comunitárias e autoridades civis e militares. A dinâmica de construção do DRP foi feita por etapas, a partir da descrição e visão do Parque feita pelos presentes, além dos prós e contras sua implantação e gestão. Foram salientados pontos importantes como a proteção ambiental, a valorização turística e o potencial econômico intermunicipal e estadual no manejo do PECSol. Entre os pontos negativos, foram destacados como ameaças o turismo predatório e a ocupação desordenada do solo. Nas reuniões ficou definido que uma das funções mais importantes do PECSol é ficar aberto às pesquisas científicas, biológicas e geológicas, mas para a proteção integral será preciso uma fiscalização integrada entre o poder público e a comunidade.

O PECSol é uma unidade de conservação integral, segundo a classificação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). O SNUC se divide em 2 grupos: Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. As Unidades de Proteção Integral são as Estações Ecológicas, as Reservas Biológicas, os Parques Nacionais, os Parques Estaduais, os Monumentos Naturais e os Refúgios de Vida Silvestre. Em fevereiro, uma reunião no Horto Escola de São Pedro da Aldeia definiu a formatação do Conselho do PECSol, com 24 membros. As reuniões do Conselho Consultivo são públicas, de caráter consultivo e abertas à comunidade. Todas as instituições da sociedade civil podem participar das reuniões. Porém, só os conselheiros terão direito a voto. O mandato dos conselheiros é de 2 anos.

Fazem parte do Conselho do PECSol: a Associação dos Comerciantes e Amigos da Praia das Conchas (Amaconchas), Associação de Arquitetos e Engenheiros da Região dos Lagos (Asaerla), Associação de Vela da Costa do Sol (Avecsol), Associação dos Empresários da Área de Proteção Ambiental do Pau-Brasil (Assemp), Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA-RJ), Grupo de Educação para o Meio Ambiente (GEMA), Instituto de Pesquisas e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (IPEDS), Instituto Ecológico Búzios Mata Atlântica (IEBMA), Instituto Federal Fluminense – Campus Cabo Frio (IFF), Movimento Ressurgência, Núcleo Ecológico José Gonçalves, Organização Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável (OADS), Ordem dos Advogados do Brasil – 22ª Subseção (OAB), União das Associações dos Moradores e Amigos de Cabo Frio, Universidade Estácio de Sá, Universidade Veiga de Almeida, Viva Lagoa e Prefeituras de Araruama, Armação de Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, São Pedro da Aldeia e Saquarema.

Mapa do Parque Estadual da Costa do Sol. Clique para ampliar!

Mapa do Parque Estadual da Costa do Sol. Clique para ampliar!

Guardas-parques do INEA combatem incêndios no PECSol

O fogo se alastrou destruindo uma extensa área de rica vegetação nativa. (Foto: Yan Bonder e Luiz Freire)

O fogo se alastrou destruindo uma extensa área de rica vegetação nativa. (Fotos: 1. Yan Bonder e 2. Luiz Freire)

O Instituto Estadual do Ambiente (INEA) deslocou guarda-parques de várias unidades de conservação para combater incêndios no PECSol. Os incêndios ocorreram por causa do longo e atípico período de estiagem na região. Em apenas uma semana, o fogo consumiu uma área de 16 hectares, incluindo partes da restinga da Massambaba, em Praia Seca, Araruama, e do bairro de Vilatur, em Saquarema. Foram várias ocorrências combatidas pelos guarda-parques, que vão permanecer na região até o fim da estiagem.

Além dos 16 hectares atingidos, dos quais 11 da APA Massambaba e 4,7 do PECSol, o fogo também atingiu outros 4 hectares de áreas fora dos limites das unidades de conservação. Os guardas-parques permaneceram na área monitorando toda a área do Parque que se encontra em fase de implantação. Atualmente, o PECSol conta com apenas 2 guardas-parques, contingente que deverá aumentar para 30, após o concurso público que está sendo promovido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. A APA da Massambaba abrange áreas de 3 municípios: Arraial do Cabo, Araruama e Saquarema.

Curso de prevenção e combate a incêndios

A Diretoria de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea realizou, em parceria com a Prefeitura de Arraial do Cabo, um curso de prevenção e combate a incêndios florestais, para formar brigadistas, membros voluntários das comunidades e dos bairros próximos às unidades de conservação. Técnicos do Serviço de Guardas-Parques do INEA ministraram o curso, que incluiu aulas práticas. O ambientalista Yan Bonder, da ONG Viva Lagoa, por exemplo, atuou como um autêntico brigadista e foi um dos primeiros a denunciar os incêndios na Massambaba, inclusive registrando em fotos as labaredas e a fumaça do fogo.

“O trabalho dos brigadistas é da maior importância para o primeiro combate e alerta aos órgãos ambientais, antes que os incêndios se propaguem e provoquem destruição ainda maior da vegetação nativa. Nosso objetivo é promover cursos em todos os municípios que compõem o Parque Estadual da Costa do Sol”, disse o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do INEA, André Ilha.

Entre as espécies que habitam a região do Parque encontra-se a rara Borboleta da Praia e o pássaro Formigueiro-do-Litoral, em extinção. (Fotos: Luiz Freire)

Entre as espécies que habitam a região do Parque encontra-se a rara Borboleta da Praia e o pássaro Formigueiro-do-Litoral, em extinção. (Fotos: Luiz Freire)

Programa Agenda Água na Escola é considerado “Solução para Água” no 6° Fórum Mundial na França

O Agenda Água na Escola com membros do Fórum da Agenda 21 de Casimiro de Abreu em ação integrada. (Foto: Agenda 21 Casimiro de Abreu)

O Agenda Água na Escola com membros do Fórum da Agenda 21 de Casimiro de Abreu em ação integrada. (Foto: Agenda 21 Casimiro de Abreu)

O Programa Agenda Água na Escola – Mobilização Social e Educação Ambiental para Gestão das Águas do Estado do Rio de Janeiro – desenvolvido pelo Grupo de Educação para o Meio Ambiente (GEMA) foi considerado como uma das Soluções para Água (Solutions for Water) pelo 6 º Fórum Mundial da Água. Solutions for Water é uma plataforma on line lançada no 6 º Fórum Mundial da Água, realizado em março, em Marselha, na França, que apresentou soluções relacionadas a problemas de água em todo o mundo. O principal objetivo da plataforma é se tornar um centro de conhecimento das soluções concretas para o dilema da água. Além disso, que seja um site de rede social, voltado para pessoas, instituições, organizações, empresas e ONGs.

Com foco na gestão integrada dos recursos hídricos no Estado do Rio de Janeiro, o Programa Agenda Água na Escola teve uma atuação pioneira nos municípios de Arraial do Cabo, Araruama, Armação dos Búzios e Cabo Frio. O objetivo é a formação de jovens gestores ambientais para o monitoramento da qualidade da água e controle da ocupação da faixa marginal permanente de rios e lagoas. Revelando-se um eficaz instrumento de mobilização social, gestão integrada dos recursos hídricos e conservação ambiental, o programa atingiu diversas escolas da rede pública, municipal e estadual nos municípios.

Na primeira fase, o programa capacitou agentes multiplicadores, trabalhando especificamente as questões relativas ao ciclo da água, os resíduos sólidos e os espaços de gestão. Sensibilizando professores e alunos, o Agenda Água na Escola desenvolveu de forma participativa um diagnóstico socioambiental, promoveu a coleta da água, elaborou relatórios e organizou dados do monitoramento da qualidade da água. A partir daí, construiu uma agenda de prioridades, com propostas de ações nos pontos monitorados. O programa realizou também eventos culturais, para divulgação de dados e pactuação da Agenda Água. E, finalmente, preparou um seminário de avaliação.

Recentemente, em Casimiro de Abreu, o Programa Agenda Água nas Escolas contou com o apoio do Fórum da Agenda 21, para ações que envolveram estudantes da Escola Estadual Mataruna, de maio a dezembro de 2011. Nos encontros, os alunos aprenderam sobre reflorestamento, plantaram mudas e visitaram a Escola da Mata Atlântica, no Distrito de Aldeia Velha, em Silva Jardim. Nas reuniões, os jovens pesquisaram sobre a hidrografia local, realizaram biomapas e desenvolveram uma agenda de propostas sustentáveis, entre elas a mudança de hábitos relacionados a saneamento e à gestão de recursos naturais. O Programa Agenda Água na Escola é desenvolvido em parceria com o Consórcio Intermunicipal Lagos São João e Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João.

6° Fórum Mundial da Água realizou-se em Marselha

Jaime Azulay, secretário executivo do CBHLSJ, Marilene Ramos, presidente do INEA e Luiz Firmino, subsecretário executivo da SEA

Jaime Azulay, secretário executivo do CBHLSJ, Marilene Ramos, presidente do INEA e Luiz Firmino, subsecretário executivo da SEA

O 6º Fórum Mundial da Água, maior evento global sobre o tema, ocorreu de 12 a 17 de março em Marselha, na França. Cerca de 20 mil pessoas de 140 países reuniram-se em torno da busca de soluções para os principais desafios que envolvem a água, uma das prioridades da agenda internacional. Organizado pela Seção Brasil do Conselho Mundial da Água, a participação brasileira ocorreu em 2 frentes: nas mais de 100 sessões oficiais do Fórum e nas atividades do Pavilhão Brasil, organizado por mais de 40 instituições. A delegação brasileira foi chefiada pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Vários representantes dos Comitês de Bacia do Brasil estiveram presentes. Representantes de todos os Comitês de Bacia do Rio de Janeiro também foram a Marselha, além de técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e da Secretaria Estadual do Ambiente (SEA), entre eles a presidente Marilene Ramos, o subsecretário Luiz Firmino, o superintendente regional Túlio Vagner e a diretora de PSA (Pagamento de Serviços Ambientais) Fátima Casarim e outros. Do Comitê de Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ) foi o secretário executivo Jaime Azulay, que fez uma apresentação do programa de reuso da água da CEDAE e Mário Flávio Moreira, secretário executivo do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ).

Mulheres produzem artesanato com fibras originadas na Wetland em Araruama

Regina Riglei, Lúcia Helena e Sandra Regina com um dos teares da Nós da Trama, que funciona numa linda casa em Araruama. (Fotos: Edimilson Soares)

Regina Riglei, Lúcia Helena e Sandra Regina com um dos teares da Nós da Trama, que funciona numa linda casa em Araruama. (Fotos: Edimilson Soares)

O núcleo de tecelagem artesanal de Araruama, Nós da Trama, está criando peças com as fibras oriundas da Wetland, a Estação de Tratamento de Esgoto Ponte dos Leites, da Concessionária Águas de Juturnaíba. Na Wetland, plantas aquáticas fazem o papel de filtros naturais, num sistema de tratamento terciário do esgoto, absolutamente natural, que absorvem resíduos e limpam a água. Papiros e sombrinhas são tipos de plantas que vêm sendo reutilizadas pelas artesãs da Nós da Trama, uma cooperativa de tecelãs, famosa pela qualidade de seus tecidos e produtos, vencedora do Prêmio Top 100, do Sebrae, e imortalizada em figurinos de novelas e seriados de TV.

Nós da Trama

Nós da Trama

A Nós da Trama começou a se formar em 1990, a partir de um grupo de mulheres que decidiu trabalhar com tecelagem manual, visando a geração de renda e a inserção no mercado de trabalho. Em 1996, o trabalho já envolvia quase 20 profissionais e, no ano seguinte, foi constituída a cooperativa, tendo como missão capacitar, sensibilizar e instruir as artesãs, através de uma abordagem continuada, segundo os princípios do associativismo. Desde o início, a Nós da Trama se voltou para a questão sócio-ambiental e adotou como conceito para a produção a criação e o desenvolvimento de tramas, misturando fios e fibras naturais, algodão, juta, rami, taboa e sisal, criando texturas diferenciadas e exclusivas.

Com um design original, misturando linhas à taboa, fibra de bananeira, piaçava e outros materiais, a Nós da Trama conseguiu uma excelente reputação e construiu uma rede de relacionamentos comerciais. Mas a falta de capital de giro representou dificuldades para as artesãs, apesar da credibilidade conquistada. Através de oficinas de capacitação, a cooperativa participou na formação de grupos de mulheres, em parceria com o setor público e programas de responsabilidade social da iniciativa privada, entre eles, trabalhos desenvolvidos nos municípios Rio Bonito, Silva Jardim e Iguaba Grande, além do grupo de mulheres da comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.

Consagrada no mercado, a Nós da Trama participou de coleções de grandes marcas e se projetou em feiras no Brasil e na Alemanha, participou de programas e projetos do Senai, Sebrae, universidades, Academia Brasileira de Letras, Instituto Zuzu Angel, culminando no Fashion Rio e numa parceria com a Firjan, durante vários anos. Das pistas de moda para a pista do samba foi mais um passo, consolidado no desfile das escolas de samba União da Ilha e Mocidade Independente.

Mas foi nas telinhas da TV, através das novelas e minisséries da Rede Globo, que a Nós da Trama se superou. A beleza dos figurinos elaborados com os tecidos da Nós da Trama, que também começaram a atuar nos cenários, principalmente em reconstituições de época, chamaram a atenção do grande público, da crítica especializada e encantou o público. Nesta emissora, a Nós da Trama participou dos seguintes seriados e novelas: A Muralha, Os Maias, A Padroeira, O Clone, O Quinto dos Infernos, Cabloca, JK, Sinhá Moça e outras. Na TV Record, a cooperativa vem trabalhando na série bíblica: A história de Ester, Sanção e Dalila e o Rei David.

Hoje, a Nós da Trama mantém uma parceria com a Concessionária Águas de Juturnaíba que fornece os papiros, resíduos das plantas aquáticas da Wetland, que viram tecidos, bolsas, sacolas, pastas, panos de mesa, carteiras, e outros produtos que encantam pela forma, trama e colorido.

“A ideia é transformar o papiro na nossa grande vedete. É uma fibra maravilhosa, que não tem serrinha, não tem fiapinho e não dá alergia. A fibra da banana tem que ter um tratamento para fungo e mofo; o papiro não”, explica Regina Riglei, uma professora de matemática, que nos anos 70 foi morar em Araruama, para viver perto da natureza. Quando comprou seu primeiro tear, não imaginou chegar aonde chegou. Idealista, consegue manter a cooperativa numa casa, sem nenhum apoio oficial. Somente o desejo de trabalhar, mantendo essa chama viva, junto com outras mulheres tão talentosas como ela, tecendo uma trama que se mantém no tempo, apesar das adversidades, renascendo a cada dia.