Recomeça o desassoreamento do Canal do Itajuru, ligação entre o mar e a Lagoa de Araruama

No Canal do Itajuru, a draga de corte e sucção alocada junto à Ilha Palmer na entrada da  Enseada das Palmeiras . Serão dragados 150 mil metros cúbicos de areia. Foto: Arnaldo Villa Nova

No Canal do Itajuru, a draga de corte e sucção alocada junto à Ilha Palmer na entrada da Enseada das Palmeiras . Serão dragados 150 mil metros cúbicos de areia. Foto: Arnaldo Villa Nova

Finalmente, depois de muita expectativa, recomeçou o desassoreamento do Canal do Itajuru, em Cabo Frio. A dragagem faz parte do processo de revitalização da Lagoa de Araruama, que teve início há mais de 10 anos e que inclui, entre outras intervenções, as obras de saneamento básico das concessionárias Águas de Juturnaíba e Prolagos nos municípios do entorno da lagoa e na construção de uma nova Ponte do Ambrósio, que ampliou de 30 para 300 metros o vão entre Cabo Frio e São Pedro da Aldeia. Extremamente assoreado, o que impede a renovação das águas, o canal hidráulico está sendo dragado para aumentar a velocidade de troca das águas mar-lagoa, minimizar a possibilidade de mortandade de peixes e preservar a biodiversidade.

O ambientalista Arnaldo Villa Nova, coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento, pioneiro na luta pela preservação da lagoa

O ambientalista Arnaldo Villa Nova, coordenador da Câmara Técnica de Monitoramento, pioneiro na luta pela preservação da lagoa

Segundo o ambientalista Arnaldo Villa Nova, da ONG Viva Lagoa, um dos pioneiros da luta pela preservação da Lagoa de Araruama, desde fevereiro de 2010 a comunidade estava aguardando a retomada dessa dragagem que teve início só em junho de 2011, graças ao empenho do secretário estadual do ambiente, Carlos Minc, e do subsecretário Luiz Firmino Pereira. O desassoreamento do Canal do Itajuru está sendo feito em dois pontos, simultaneamente. Sob a Ponte Feliciano Sodré, ocorre o derrocamento de dois promontórios, para remover lajes de pedras que impedem o fluxo das águas e a navegação. E dragando o canal hidráulico, no trecho que vai do Baixo Grande até a Enseada das Palmeiras, para remover areia. A remoção desses obstáculos facilitará, em muito, a renovação da Lagoa de Araruama.

Em 1999, quando surgiu o Consórcio Intermunicipal Lagos São João, a partir de uma grande mobilização social, voltada para o meio ambiente, a Lagoa de Araruama caminhava para processo grave de poluição. Em 2000, a lagoa eutrofizou; praticamente sucumbiu! Totalmente poluída, cheirava mal e espantava os moradores e turistas. As praias ficaram cobertas de algas que exalavam um odor nauseante. A balneabilidade era cronicamente comprometida na Praia do Centro, em Araruama, na Praia do Siqueira e na Praia das Palmeiras, em Cabo Frio. Os camarões desapareceram e os poucos pescados eram de coloração verde! A grita dos ambientalistas chegou ao máximo e desembocou na criação do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João, que passou a negociar diretamente com as concessionárias responsáveis pelos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, a Prolagos e a Águas de Juturnaíba, a antecipação e o aceleramento do cronograma de obras de captação de esgotos, para salvar a lagoa.

O renascimento da Lagoa de Araruama

As captações de esgotos em “tempo seco”, isto é, numa única rede, junto com a rede de águas pluviais, foi a solução encontrada na época e começou a funcionar, aliviando a lagoa, principalmente em tempos de estiagem (sem chuvas). As Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) passaram a funcionar efetivamente a partir de 2005. Com este sistema de esgotamento sanitário, a lagoa começou a melhorar; as algas que contaminavam as praias desapareceram; o nível de coliformes fecais baixou, deixando as praias balneáveis; o nível de nutrientes diminuiu. E, de junho a dezembro de 2008, a lagoa ficou transparente! Em 2009, a lagoa teve outro momento de recuperação. Os camarões retornaram e a pesca artesanal voltou a ser praticada ativamente.

Chico Pescador, coordenador da Câmara Técnica de Pesca e Aquicultura, acredita na plena recuperação da Lagoa de Araruama

Chico Pescador, coordenador da Câmara Técnica de Pesca e Aquicultura, acredita na plena recuperação da Lagoa de Araruama

Porém, a captação em sistema unitário, “tempo seco”, não é ideal, principalmente tendo em vista as mudanças climáticas que já estão acontecendo na região e o aumento do índice pluviométrico, com a ocorrência de grandes chuvas. Entretanto, para haver um sistema de redes separativas é preciso primeiro ter as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) e os troncos coletores. A partir daí, pode-se começar a pensar na construção das redes separativas.

“De que adiantaria iniciar a construção de redes separativas, se não tivéssemos as ETEs e os troncos coletores para levar o esgoto até as ETEs?”, questiona o ambientalista Arnaldo Villa Nova, presidente da ONG Viva Lagoa e da Plenária das ONGs do Consórcio Intermunicipal Lagos São João? “Hoje temos para atender a bacia da Lagoa de Araruama várias ETEs; temos em Araruama uma ETE com Wetland, que trata o esgoto através da vegetação, uma experiência pioneira na América Latina, mas amplamente utilizada nos Estados Unidos; temos ETEs em Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Búzios e Jardim Esperança, continua Arnaldo.

“Temos troncos coletores em Iguaba, São Pedro da Aldeia e na margem direita do Canal do Itajuru. Está em fase final a obra de captação da margem esquerda do Itajuru, do Peró ao Vinhateiro. Em Araruama, há troncos coletores da Praia do Hospício até a Pontinha”, contabiliza o pioneiro da luta pela preservação da Lagoa de Araruama. “Há necessidade de construir os troncos coletores na altura do valão do Aeroporto de Cabo Frio e no Guarani, já agendados pela Prolagos, e da Pontinha a Iguabinha, que serão construídos por Águas de Juturnaíba. Concluídos esses troncos seguiremos para a fase de construção das redes separativas. Enquanto as redes separativas não ficam prontas, vamos captando as valas e manilhas que despejavam esgoto 365 dias do ano e hoje já não despejam mais”, conclui Arnaldo.

Além do saneamento, o desassoreamento da Lagoa de Araruama é fundamental, para o equilíbrio do ambiente, pois a falta de renovação das águas leva também ao aparecimento de algas e a mortandade de peixes. Neste sentido, outro membro do Comitê da Bacia Lagos São João, Francisco da Rocha, o Chico Pescador, representante da União das Entidades de Pesca e Aquicultura do Estado do Rio de Janeiro (UEPA-RJ), também comemora a dragagem da lagoa.

“Com essa dragagem, acredito que vamos ter em agosto uma lagoa bem melhor do que está hoje”, acredita o representante da pesca artesanal. Junto com Arnaldo, Chico Pescador tem feito o monitoramento da Lagoa de Araruama ao longo dos anos, desde o início da luta pela preservação do maior corpo hídrico da Bacia Lagos São João. E reconhece que agora há esperança de que a lagoa vai recuperar sua feição original, com águas limpas e translúcidas, rica em pescado, como conheceu na sua infância, junto com seu pai e avô, pescadores como ele.

A dragagem em números e volumes

Tulio Vagner

Tulio Vagner

O superintendente do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), da Superintendência Regional Lagos São João (SUPLAJ), da Secretaria Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, Tulio Vagner, é o responsável pelo acompanhamento da obra de desassoreamento do Canal do Itajuru. Ex-gerente da antiga Serla e com a experiência de quem já vivenciou as demais dragagens ocorridas na Lagoa de Araruama, em momentos mais críticos do que este, quando a lagoa dava sinais de exaustão, Tulio está otimista com esta nova obra que tem tudo para resolver um problema crônico: o da difícil renovação das águas no canal hidráulico entre o mar e a lagoa.

Segundo Tulio, o derrocamento começou em abril. Está prevista uma retirada de 2.500 metros cúbicos de pedras. Já o desassoreamento do canal, que é a retirada da areia, tem uma previsão de atingir 150.000 metros cúbicos. Todo esse material pertence à União e terá o destino que for acordado entre o Estado e o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), do Ministério de Minas e Energia. Na dragagem anterior, a areia retirada serviu para recuperar praias no entorna da própria lagoa. Calculada em torno de 6 milhões de reais, esta nova obra é feita com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (FECAM), no Canal do Itajuru tem 3 fases.

A primeira fase foi a retirada das ilhas, remanescentes das torres de transmissão de energia elétrica. A segunda fase é o derrocamento, que está sendo feito em frente ao Cemitério Municipal de Cabo Frio, entre a Ponte Nova, Wilson Mendes, e a Ponte Velha, Feliciano Sodré. A terceira fase é o desassoreamento entre o cemitério e a ponte da RJ 106.

“A grande importância do desassoreamento é a conciliação estratégica da abertura do Canal do Itajuru com a permanente retirada de lançamento de esgoto na lagoa, que vem sendo feita pelas concessionárias de água e esgoto. São duas ações concomitantes importantíssimas; só uma não iria resolver a questão. Essas ações vão facilitar a renovação das águas e garantir a recuperação ambiental da lagoa”, explica Tulio, que estima em 4 meses o tempo de duração da obra.

Máquina  que trabalha no derrocamento entre a Ponte Feliciano Sodré e a Ponte Wilson Mendes, em Cabo Frio. Segundo Túlio Vagner, do INEA, está prevista uma retirada de 2.500 metros cúbicos de pedras

Máquina que trabalha no derrocamento entre a Ponte Feliciano Sodré e a Ponte Wilson Mendes, em Cabo Frio. Segundo Túlio Vagner, do INEA, está prevista uma retirada de 2.500 metros cúbicos de pedras

O Atlas da Mata Atlântica

O Dia Nacional da Mata Atlântica foi comemorado no dia 27 de maio e, para marcar a data, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Ministério da Ciência e Tecnologia lançaram a nova versão do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. O documento retrata a situação de 16 dos 17 estados do país, que constituem o Bioma Mata Atlântica, de 2008 a 2010, com exceção do Piauí, que ainda não foi mapeado. No ranking do desmatamento, os 10 estados em situação mais crítica são: Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás; Rio de Janeiro está em oitavo lugar, seguido do Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

Nos 16 estados analisados, foram verificadas quedas na taxa média anual de desflorestamento. Em Minas Gerais, a taxa média anual caiu 43%, referente ao período de 2005- 2008. Minas Gerais possuía originalmente 46% do território coberto de Mata Atlântica, mas agora restam apenas 10,04%. Os novos dados do Atlas da Mata Atlântica indicam também a perda de cobertura nativa por municípios, feita através do IPMA (Índice de Preservação da Mata Atlântica), indicador criado pela SOS Mata Atlântica e pelo INPE, através do qual foi possível ranquear os municípios que mais possuem cobertura vegetal nativa e os que mais desmatam. Minas Gerais lidera o ranking, com as 3 cidades que mais desmataram, de 2008 a 2009: Ponto dos Volantes, Jequitinhonha e Pedra Azul. Em 4° lugar, ficou a cidade baiana de Andaraí e, em 5°, outro município mineiro: Águas Vermelhas.

O primeiro mapeamento dos remanescentes da Mata Atlântica foi publicado em 1990, com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Em 2010, a 6° edição do estudo trouxe dados atualizados de 9 estados: Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O documento apresentava mapas e estatísticas globais e por estado, elaborados com base nas imagens transmitidas pelo satélite Landsat 5 que leva a bordo o sensor Thematic Mapper.

Mais completa e abrangente, a nova edição contém dados e mapas que podem ser acessados pela internet, no site do INPE, www.inpe.br, no site www.sosma.org.br ou no servidor de mapas http://mapas.sosma.org.br. A novidade fica por conta da identificação, localização e situação dos principais remanescentes florestais existentes nos municípios. No Rio de Janeiro, os 10 municípios com maiores desmatamentos são, pela ordem: São Fidelis, Campos dos Goytacazes, Resende, Trajano de Moraes, Cantagalo, Macaé, Sumidouro, Nova Friburgo, Barra do Piraí e Paraty.

Segundo o novo Atlas, “A Mata Atlântica, complexo e exuberante conjunto de ecossistemas de grande importância, abriga parcela significativa da diversidade biológica do Brasil, reconhecida nacional e internacionalmente no meio científico. Lamentavelmente, é também um dos biomas mais ameaçados do mundo devido às constantes agressões ou ameaças de destruição dos habitats nas suas variadas tipologias e ecossistemas associados. Desde o descobrimento do Brasil pelos europeus, os impactos de diferentes ciclos de exploração, da concentração das maiores cidades e núcleos industriais e da alta densidade demográfica, entre outros, fizeram com que a vegetação natural fosse reduzida drasticamente. Temos hoje apenas 7,9% (101.779 km2) de remanescentes mais preservados em áreas acima de 100 hectares”.

São iniciativas assim que contribuem objetivamente para a preservação da Mata Atlântica.

Os Subcomitês da Bacia Hidrográfica são a base do Comitê Lagos São João

A reunião do Subcomitê da Lagoa de Saquarema, realizada na sede da Colônia de Pescadores Z-24. Foto: Monique Barcellos

A reunião do Subcomitê da Lagoa de Saquarema, realizada na sede da Colônia de Pescadores Z-24. Foto: Monique Barcellos

O Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ) é subdividido em três Subcomitês: o Subcomitê da Lagoa de Araruama, o Subcomitê do Rio São João e Rio Una e o Subcomitê das Lagoas de Saquarema, Jaconé e Jacarepiá. Criados para otimizar a gestão dos recursos hídricos na bacia hidrográfica, os subcomitês são oriundos dos antigos grupos de trabalho do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), que promoveu três seminários em fevereiro, março e abril do ano 2000. Realizados em Silva Jardim, Araruama e Saquarema, os seminários deram origem, em 2001, aos grupos de trabalho assim nomeados: Grupo Executivo da Lagoa de Araruama (GELA), Grupo Executivo das Lagoas de Saquarema (GELSA) e Grupo Executivo do Rio São João, Una e Ostras (GERSA). Mais tarde, o Rio das Ostras passou a integrar a bacia do Rio Macaé.

Após os seminários, várias ações estruturantes resultaram na construção do Plano de Trabalho de 2003-2004, quando também foram feitos convênios com a ONG WWF-Brasil, para desenvolvimento do Projeto São João, e com o Conselho Regional de Biologia, para projetos de educação ambiental. No final de 2004, foi criado o Comitê da Bacia que começou a funcionar a partir de fevereiro de 2005, tendo em sua estrutura os subcomitês. Na prática, os subcomitês são a base da pirâmide organizacional do Comitê da Bacia. Com a participação dos usuários, beneficiários diretos e indiretos dos recursos naturais da bacia, instituições civis, empresas, órgãos de pesquisa e esferas de governo, os subcomitês reproduzem o mesmo tipo de composição que o próprio Comitê da Bacia.

a engenheira florestal Marília Salgado, na reunião do Subcomitê de Araruama, na Igreja Batista de Arraial do Cabo. Foto: Dulce Tupy

a engenheira florestal Marília Salgado, na reunião do Subcomitê de Araruama, na Igreja Batista de Arraial do Cabo. Foto: Dulce Tupy

Em 2011, os subcomitês se reuniram em abril, quando foi apresentada a nova diretoria do Comitê da Bacia. O subcomitê do Rio São João, agora integrado ao Conselho Gestor da Apa São João (Conapa), reuniu-se no auditório do Centro Educativo da Reserva Biológica de Poço das Antas/ICMBio, em Silva Jardim. A reunião teve como principais pontos de pauta os projetos executados pela delegatária (CILSJ) na área do subcomitê, entre eles obras da Concessionária Águas de Juturnaíba, o Projeto de Renaturalização do Rio São João e o Projeto Juturnaíba Viva, entre outros assuntos.

A reunião do subcomitê da Lagoa de Araruama foi no auditório da Igreja Batista, em Arraial do Cabo, quando foi apresentado um relato das obras de água e esgoto da concessionária Prolagos, o monitoramento e a dragagem da Lagoa de Araruama, o Plano Municipal de Saneamento da Prefeitura de Arraial do Cabo e o Projeto da Usina de Reciclagem de Lixo, também da Prefeitura de Arraial do Cabo, além de considerações sobre o Parque Estadual da Costa do Sol e outros assuntos.

Em Saquarema, a reunião do subcomitê foi na Colônia de Pescadores Z-24, tendo como principais pontos de pauta o canal extravasor da Lagoa de Jacarepiá, que verte para a Lagoa de Araruama, a nova dragagem da Lagoa de Saquarema, o Plano de Abastecimento de água para Jaconé, o Plano Municipal de Saneamento, as obras da concessionária Águas de Juturnaíba, entre outras ações.

Leia na próxima edição matéria sobre as principais Câmaras Técnicas do Comitê da Bacia Lagos São João.

Comitê da Bacia Lagos São João aprova Plano de Investimento e renova Contrato de Gestão

A reunião do Comitê da Bacia Lagos São João foi no salão do Parque Hotel, em Araruama, que ficou lotado com os representantes das ONGs, do poder público e dos empresários, onde foram anunciadas várias intervenções na bacia. Fotos: Monique Barcellos

A reunião do Comitê da Bacia Lagos São João foi no salão do Parque Hotel, em Araruama, que ficou lotado com os representantes das ONGs, do poder público e dos empresários, onde foram anunciadas várias intervenções na bacia. Fotos: Monique Barcellos

Os membros do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ) reuniram- se no auditório da FAETEC, em Araruama, em maio, para tratar de vários assuntos, entre eles o Plano de Investimento e a ratificação do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) como entidade delegatária do Comitê da Bacia. Estiveram presentes o vice-presidente Carlos Gontijo, superintendente da concessionária Águas de Juturnaíba e o secretário executivo do Comitê da Bacia Jaime Azulay, engenheiro da Cedae, além da diretoria do Consórcio: o presidente e prefeito de Araruama André Mônica, a vice-presidente e engenheira da Prolagos Ana Paula Medina e o secretário executivo, biólogo Mário Flávio Moreira. O subsecretário estadual do ambiente, Luis Firmino Pereira, participou ativamente da reunião e muito colaborou, por ser um dos fundadores do Consórcio, em 1999, e do Comitê, em 2004, tendo exercido durante vários anos o cargo de secretário executivo do Consórcio e do Comitê, antes de assumir a direção da antiga Serla (Superintendência Estadual de Rios e Lagoas), a presidência do INEA ( Instituto Estadual do Ambiente) e hoje estar no primeiro escalão da SEA (Secretaria Estadual do Ambiente).

O subsecretário estadual do Ambiente Luiz Firmino

O subsecretário estadual do Ambiente Luiz Firmino

Na reunião, foram aprovados projetos e estudos, entre eles a realização do diagnóstico das Lagoas Costeiras de Armação dos Búzios e Massambaba; a continuidade do Programa de Monitoramento dos Corpos Hídricos da Região Lagos São João; o prosseguimento das atividades do Programa de Educação Ambiental do CBH Lagos São João, a elaboração do informativo bimestral do CBH Lagos São João, Voz das Águas; o fortalecimento da pesca artesanal, infraestrutura e capacitação das Colônias de Pescadores; a realização da batimetria da Área 2 da Lagoa de Araruama, o ordenamento e manutenção do Sistema de Informações Geográficas (SIG) da Bacia Lagos São João, além do custeio da delegatária Lagos São João para o segundo ano do Contrato de Gestão com o INEA.

Entre as resoluções aprovadas, vale destacar a indicação de áreas no entorno da Lagoa de Araruama para receber o material oriundo da dragagem, com finalidade de atender às demandas do desassoreamento do Canal do Itajuru, em Cabo Frio. Na reunião foi aprovada uma moção de recomendação aos órgãos ambientais dos municípios que compõem a bacia, para que no licenciamento de novos empreendimentos exijam a construção de rede separativa de esgotamento sanitário, independente de galerias pluviais e que os efluentes sejam ligados à rede pública de esgoto.

Segundo o subsecretário executivo da Secretaria Estadual do Ambiente, Luiz Firmino, foi elaborado um novo projeto de vertedouro da Lagoa de Jacarepiá, em Saquarema, para manter o nível correto da lagoa, evitando inundações e sem verter excesso de água doce para a Lagoa de Araruama, que prejudica o ecossistema lagunar. Firmino falou também dos estudos para viabilizar as obras de esgotamento de Monte Alto e Figueira, em Arraial do Cabo, e Praia Seca, em Araruama. E informou que a obra de construção do aterro sanitário de Saquarema em breve será iniciada. Finalizando sua participação, o subsecretário executivo do ambiente lembrou a criação recente do Parque Estadual Costa do Sol, que ocupa o 4° lugar no Estado do Rio de Janeiro em tamanho, com 10 mil hectares, com possibilidade de outras áreas serem agregadas. No encerramento, foi aprovada uma moção de aplauso ao presidente da Plenária das ONGs, Arnaldo Villa Nova, ex-
presidente do Comitê da Bacia LSJ, e à Prefeitura de Arraial do Cabo, pelo projeto de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos Urbanos.

Dia do Meio Ambiente é amplamente comemorado nos municípios

Em Saquarema, o Fórum da Agenda 21 promoveu um debate na Câmara, com o secretário de meio ambiente, Gilmar Magalhães, vereador Rafael Pinheiro, presidente da Comissão de Meio Ambiente, João Batista, da Emater e José Alexandre, da Cedae. Fotos: Edimilson Soares

Em Saquarema, o Fórum da Agenda 21 promoveu um debate na Câmara, com o secretário de meio ambiente, Gilmar Magalhães, vereador Rafael Pinheiro, presidente da Comissão de Meio Ambiente, João Batista, da Emater e José Alexandre, da Cedae. Fotos: Edimilson Soares

O Dia do Meio Ambiente foi intensamente comemorado nos municípios da Bacia Lagos São João. Desde os primeiros dias do mês de junho, várias atividades mobilizaram estudantes, professores, técnicos, ambientalistas e comunidade em geral de Arraial do Cabo, Iguaba Grande, Silva Jardim, São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Araruama, Casimiro de Abreu, Armação de Búzios, Rio Bonito, Saquarema, Maricá e Cachoeiras de Macacu. O foco das atenções foi o Dia do Meio Ambiente (5 de junho), mas durante toda a semana foram feitas atividades educativas, voltadas para a necessidade de preservação e conservação do ambiente. Membros do Comitê da Bacia Lagos São João participaram de vários eventos e, entre as comemoração do meio ambiente no Estado, o Consórcio Intermunicipal Lagos São João foi homenageado pelo CRBio-2, na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Leandro Coutinho, da Câmara de Pesca, na palestra sobre a Lagoa de Araruama

Leandro Coutinho, da Câmara de Pesca, na palestra sobre a Lagoa de Araruama

Além das atividades oficiais, promovidas pelas Prefeituras Municipais, os empresários também comemoraram o Dia do Meio Ambiente. Um shopping de Cabo Frio promoveu pela segunda vez debates com o tema “Meio Ambiente em Foco”, com a participação de Juarez Lopes, da ASAERLA, Mario Flavio Moreira, do CILSJ, Maria Helena Baeta Neves, do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira-IEAPM, Júlio César Calvo, superintendente do Ambiente da Secretaria de Desenvolvimento da Cidade e Ambiente de Cabo Frio, entre outros. As universidades da região também promoveram debates, entre eles um Simpósio sobre Unidades de Conservação, na Universidade Cândido Mendes e, na Universidade Veiga de Almeida, houve uma exposição de materiais reciclados, além de palestras como a da secretária de Meio Ambiente de Búzios, Adrana Saad, que falou do Parque dos Corais, entre outros palestrantes.

As concessionárias de água e esgoto, Prolagos e Águas de Juturnaíba, entre outros membros que têm assento no Consórcio e no Comitê da Bacia, promoveram visitas às Estações de Tratamento e ao Reservatório de Juturnaíba. A Dois Arcos Gestão de Resíduos também abriu as portas do Aterro Sanitário, em São Pedro da Aldeia. A ONG IPEDS promoveu uma caminhada na Serra de Sapiatiba. O Projeto Pólen, da UFRJ e Petrobras, promoveu encontros com a comunidade. Houve farta distribuição de mudas, sementes e ecobags, nos municípios. Os resíduos sólidos foram debatidos, assim como o uso do solo, a energia solar, a biodiversidade, as construções sustentáveis e outros temas. Foram feitos seminários e feiras, como a do Instituto Federal Fluminense, em Cabo Frio. Este ano, as comemorações superaram todas as expectativas.

Em Iguaba, uma aula prática de monitoramento da lagoa promovida pela Prolagos

Em Iguaba, uma aula prática de monitoramento da lagoa promovida pela Prolagos

Um dos municípios que mais se destacou na programação foi Arraial do Cabo, onde foi feito o lançamento do SISLAM (Sistema de Licenciamento Ambiental Municipal) e debatidos o Parque Costa do Sol e o Geoparque, além da apresentação do Centro de Defesa Ambiental da Petrobras (CDA) e visitas à APA da Massambaba, Reserva Biológica das Orquídeas e Brejo dos Espinhos, com apoio da ONG CLEAN. Em Iguaba, foi inaugurado o Horto Municipal, foram feitas palestras e análise da água da Lagoa de Araruama, no Laboratório Móvel da Prolagos, para alunos da rede escolar. Em Araruama, foi promovido um simpósio sobre o Sistema de Licenciamento Ambiental, na Câmara Municipal, e uma exposição de fotos, entre outras atividades. Em Casimiro de Abreu, realizou-se o I Fórum Ambiental e, em Silva Jardim, ações pedagógicas em escolas e RPPNs. Em Rio Bonito, as ações incluíram combate à dengue. Em Saquarema houve debates, promovidos pelo Núcleo de Educação Ambiental da Bacia de Campos (NEA-BC), da Petrobras, junto com a OAB e, na Câmara Municipal, o primeiro ciclo de Estudos Sustentáveis, do Fórum da Agenda 21 Local.