Rio+20 e a Governança das Águas

Na instalação Humanidades promovida pelos empresários ocorreram alguns dos melhores momentos da Rio+20. (Foto: Dulce Tupy)

Na instalação Humanidades promovida pelos empresários ocorreram alguns dos melhores momentos da Rio+20. (Foto: Dulce Tupy)

A conferência da Organização das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, promoveu em junho um espaço democrático e eclético para debater, negociar e manifestar o anseio por um mundo melhor ou “O futuro que queremos”, nome do documento final do evento. Ao mesmo tempo em que líderes mundiais se reuniam no Riocentro, na zona oeste do Rio de Janeiro, eventos paralelos aconteciam na zona sul, como o Humanidades, que aconteceu no Forte de Copacabana, onde se realizou a Cúpula dos Prefeitos, que conseguiu um dos mais importantes acordos sobre a redução de carbono nas cidades. Houve também intensa movimentação em vários pontos do Rio de Janeiro, como no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, onde foi feita uma instalação do artista plástico Siron Franco, sobre o Pantanal, e numa tenda ao lado outra instalação de Vik Muniz, com resíduos sólidos. Foi lá também que se concentraram as ações da Cúpula dos Povos, evento paralelo organizado pela sociedade civil no Aterro do Flamengo, mas que se espalhou pela cidade, tendo promovido uma grande passeata na Avenida Rio Branco, no centro da cidade.

O índio Júan da etnia Kaxinawa, do Acre,  aprecia o jornal Voz das Águas na Cúpula dos Povos, em frente à tenda Águas e Florestas. (Foto: Alessandra Calazans)

O índio Júan da etnia Kaxinawa, do Acre, aprecia o jornal Voz das Águas na Cúpula dos Povos, em frente à tenda Águas e Florestas. (Foto: Alessandra Calazans)

Ao lado de representantes quilombolas, indígenas, mulheres e ambientalistas de todos os cantos do planeta, destacou-se o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social, organizado pelos movimentos e pastorais sociais, entidades da sociedade civil e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), como também o espaço Cúpula das Águas e Florestas, coordenado pela Rede Brasileira de Agendas 21 Locais (REBAL), pela Rede Brasileira de Educação Ambiental (REBEA) e pelo Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA), com a proposta de mobilização através de oficinas e do diálogo inter-redes. Para o representante da REBAL, Carlos Frederico Castelo Branco a tenda foi uma oportunidade para debater o tema: águas e florestas para o futuro dos povos.

Todos os temas relacionados à manutenção da vida e aos diretos humanos convergiam para as discussões relativas à água. Ainda na Cúpula dos Povos, a Agência Nacional de Águas (ANA) apresentou, através de apresentação do seu diretor Dalvino Trocolli Franca, a palestra “Escassez Hídrica e Cultura”. A ANA também apoiou a exposição “Águas, Rios e Povos”, da Organização France Libertés Brasil e ainda lançou o “Pacto pelas Águas”. O Instituto Ipanema e a Rede FAN – FreshWater Action Network, abordaram o “Direito à Água e Saneamento”. A Fiocruz promoveu o debate “A Luta da Favela pela Saúde Ambiental: Pela Participação Popular nos Comitês de Sub-bacia da Baía de Guanabara” e lançou o livro do ecologista Elmo Amador (1943-2010) “Baía de Guanabara: Ocupação histórica e avaliação ambiental – Homenagem e tributo à luta pela Baía de Guanabara”.

Rosa Formiga, o prefeito de Tanguá, Carlos Pereira, presidente do CONLESTE e Karla Matos, da Agenda 21 do Rio de Janeiro. (Foto: Dulce Tupy)

Rosa Formiga, o prefeito de Tanguá, Carlos Pereira, presidente do CONLESTE e Karla Matos, da Agenda 21 do Rio de Janeiro. (Foto: Dulce Tupy)

O primeiro debate do Humanidades 2012, promovido pelo Sistema FIRJAN foi: “A governança da Água”, tendo participação do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), com a presidente Marilene Ramos na mesa de debates “Riscos e Perspectivas da Governança da Água”. O INEA também realizou no Museu da República, no Catete, através das equipes da diretora de Gestão das Águas e do Território, Rosa Formiga, e Karla Matos, da Agenda 21 do Rio de Janeiro, o Simpósio Internacional: “Agenda 21: Panoramas Atuais e Perspectivas”, com a participação da França, Portugal e o do presidente do CONLESTE, Carlos Perreira. O Ministério do Meio Ambiente apresentou o programa “Água Doce”, no painel “Água: cidadania para comer e beber”, entre outros momentos focados na questão do uso da água.

Pacto Mundial pela melhor gestão das bacias

O vice-presidente da REBOB e secretário executivo do CILSJ, Mario Flavio Moreira, participou da assinatura do Pacto Mundial pela Melhor Gestão das Bacias Hidrográficas. (Foto: Divulgação)

O vice-presidente da REBOB e secretário executivo do CILSJ, Mario Flavio Moreira, participou da assinatura do Pacto Mundial pela Melhor Gestão das Bacias Hidrográficas. (Foto: Divulgação)

A Rede Brasil de Organismos de Bacia (REBOB), representada pelo seu vice presidente e secretário executivo do CILSJ, Mario Flávio Moreira, e representantes de organismos de bacias da América Latina, Europa e África, ratificaram o “Pacto Mundial pela Melhor Gestão de Bacias Hidrográficas”, assinado no 6º Fórum Mundial da Água, realizado em março de 2012, em Marselha (França). A ratificação fez parte de um dos eventos organizado pela Rede Internacional de Organismo de Bacia (RIOB) na Rio+20.

Realizada no Pavilhão Francês do Parque dos Atletas, no dia 18 de junho, sob o tema “As bacias, novos territórios para uma melhor gestão dos recursos hídricos”, teve a coordenação do secretário geral da RIOB, Jean-Francois Donzier. A RIOB participou também do Seminário sobre Gestão de Bacias, organizado pelo Consórcio Intermunicipal PCJ, de São Paulo.

Além dos destaques referentes à temática da água, um elemento novo na Rio+20, chamou atenção: o uso da internet nos painéis, nos acessos de integração oferecidos ao público, nos postos de informações aos usuários, nas exposições, presente em praticamente todos os espaços. A internet funcionou também como elemento de mobilização online, como no twittaço pelo fim dos combustíveis fósseis, organizado pelas ONGs 350.org e Avaaz, que já atuam com as novas tecnologias sociais, a serviço da participação e adesão aos movimentos socioambientais em tempo real e de qualquer parte do mundo.

Montagem da obra do artista Vik Muniz em que resíduos sólidos compõem a imagem do Pão de Açúcar. (Foto: Lia Caldas / Subito Photo)

Montagem da obra do artista Vik Muniz em que resíduos sólidos compõem a imagem do Pão de Açúcar. (Foto: Lia Caldas / Subito Photo)

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