Dialogue Days, Dias de Diálogos

Por: Dalva Mansur

A nova tecnologia de interação online, com painel digital para visualização e participação dos membros no Dialogue Days e no mundo inteiro. (Foto: Dalva Mansur)

A nova tecnologia de interação online, com painel digital para visualização e participação dos membros no Dialogue Days e no mundo inteiro. (Foto: Dalva Mansur)

Dias para se guardar. O governo brasileiro sugeriu à ONU (Organização das Nações Unidas) discussões com a sociedade civil, onde as propostas para os próximos anos no planeta fossem amplamente debatidos. Assim, pela primeira vez, aconteceram os Dialogue Days.

Sendo o IPEDS já Credenciado na ONU , recebemos da Casa Civil da Presidência da República, o convite para participar, pois sempre trabalhamos alinhados com os Objetivos do Milênio.

Os temas resultantes das discussões em reuniões preparatórias foram para um site, aberto às sugestões complementares. Os temas dos diálogos giravam entre Economia sustentável, Cidades, Água, Oceanos, Florestas, Trabalho, emprego decente e migrações, Energia, Segurança alimentar, Combate à pobreza e Desenvolvimento sustentável como resposta às crises econômicas. Cada tema teve dez itens mais votados no site que foram indicados para o nortear o documento final oferecido aos chefes de estado. Houve mais de 5 milhões de acessos, e de 16 a 19 de junho, no Pavilhão 5, no Riocentro, foram reunidos os convidados para selecionar as propostas obtidas no site.

Como nosso jornal, o Voz das Águas, é sobre água, vamos falar dos temas referentes a água, além de citar alguns nomes de apresentadores dos temas que mais impressionaram a mim e à plateia. Falando em oceanos, o engenheiro de pesca Rachid, da Somália, nos alertou: “da natureza pegamos, usamos e bombeamos os restos para os mares ou para o ar. Criar peixes em prédios é possível, mas será que eles estão alinhados com a natureza do que é ser um peixe?” A ênfase deve ser na pesca artesanal, a pesca em alto mar em grandes barcos dá poucos empregos, destrói o equilíbrio e custa muito caro. A pesca para ser viável tem que estar perto do local de consumo.

Ora, ele falava sobre cidades sustentáveis, onde a agricultura, a criação de gado e a pesca estão próximas para baratear o custo de transporte e conservação dos alimentos. E aí pensamos na nossa região, onde existem municípios que tentam suprimir a área rural… Em 1776, Adam Smith disse que tudo que temos pertence a todos as gerações e não temos o direito de destruir. Agora, chegamos ao momento critico. Paramos agora mudamos nosso comportamento e administramos o que resta com parcimônia, ou vamos extinguir a humanidade junto com o planeta.

Fiquei muito impressionada com Mrs. Nanã, de Uganda, que nos contou que “por falta de água e por degradação ambiental, as crianças e jovens filhos de agricultores abandonam a área agrícola, dirigem-se às cidades, onde não tem o que fazer, tornam-se viciadas e dependentes, aceitam lideranças malignas, que os levam para drogas, grupos de luta armada, ou tornam-se suicidas”. Ao final de seu relato eu chorava. Olhei para o lado e um homem, que eu não conhecia, chorava também. Eu pensei, em nossa discussões aqui na bacia, sobre outorga e dragagem, enquanto outra palestrante, pedia “o direito a água pelo menos em alguns dias do mês para a higiene feminina“!

Alguns ambientalistas falam em vender créditos de carbono e não pensam que quem compra os créditos está em algum lugar deixando vazar contaminantes para o solo, os rios, o oceano ou o ar. Os Diálogos foram uma ponte entre a sociedade civil e os governantes das nações, momento este possibilitado pela tecnologia, que permitiu a conexão entre todos no site,na plenária com tradução, projeção simultâneas e com votação eletrônica. Assim, 5 milhões de pessoas puderam votar no site e sugerir reformas para o mundo que foram refinadas pelos quinhentos convidados presentes aos Diálogos, e que resumiram aquilo que acreditam ser necessário para um mundo melhor para nossos descendentes.

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