Câmara Técnica de Monitoramento se reuniu no Dormitório das Garças, em Cabo Frio

A reunião foi no pequeno auditório da sede do Dormitório das Garças. (Foto: Arquivo CILSJ/CBHLSJ)

A reunião foi no pequeno auditório da sede do Dormitório das Garças. (Foto: Arquivo CILSJ/CBHLSJ)

O resultado de 2 anos de coleta e monitoramento físico químico e balneabilidade da Lagoa de Araruama, foi apresentado por técnicos em reunião da Câmara Técnica de Monitoramento. Segundo os Índices de Conformidade (IC) e de Balneabilidade (IB) que constam da apresentação feita pela Dra. Fátima Soares, as praias oceânicas da região são as melhores do Estado do Rio de Janeiro. Porém, foi recomendado enfaticamente que os efluentes de origem sanitária não devem ser despejados na Lagoa Araruama, tanto pelo lançamento de nutrientes, como pelo impacto sobre a salinidade da água, o que coloca em risco a qualificação de Lagoa Hipersalina em estado permanente.

A secretária municipal de Meio Ambiente de Búzios, Adriana Saad, apresentou um estudo para caracterização das Lagoas de Búzios (Canto, Ferradura e Geribá) e lagoas da APA da Massambaba (Pernambuca e Vermelha). No projeto apresentado pela bióloga, foi contemplado o Mapeamento das demais lagoas, zonas alagadiças e brejos permanentes situados nessas áreas. Foi discutida também a necessidade de estudo semelhante para as Lagoas de Jacarepiá, em Saquarema e Guriri, em Cabo Frio.

O monitoramento contempla: coletas e relatórios regulares, semanais, mensais, extras em emergências e análises de afluentes. O monitoramento abrange análises físico-químicas do fitoplâncton, de bentos, do zooplancton e da balneabilidade. Anualmente em workshop, os resultados são discutidos. Em análise da mortandade de peixes ocorrida em março de 2012, a Dra. Maria Helena faz uma projeção demonstrando ocorrências e comparando dados de análises físico-químicas, de fitoplancton e as variações climáticas. Segundo a pesquisadora, a Lagoa entra em estresse periodicamente em março, após a intensa ocupação urbana na região. Nesse ano os elevados teores de fósforo propiciaram o boom de Cianobactérias (Synechococcus) que atinge toda área do Boqueirão, em São Pedro da Aldeia, até a enseada de Ponte dos Leites, em Araruama.

Segundo a Dra. Maria Helena, que consultou o Dr. Eduardo Fagundes Netto, especialista em peixes do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM), a elevação do pH produz em certos peixes a alcalose, que pode ser comparado a uma intoxicação. Quando o pH aumenta, aumenta a frequência respiratória dos peixes que estão nesse ambiente e as bactérias também encontram um meio adequado para multiplicar-se. As bactérias encontram os peixes estressados, um meio adequado para converter-se em patógenas, causando uma bacteriose, ou seja, uma Septicemia Hemorrágica Bacteriana, que está diretamente vinculada a dois fatores: estresse dos peixes e o pH inadequado da água. A reunião aconteceu em um dos mais belos santuários ecológicos da região, o Dormitório das Garças, em Cabo Frio.

Comments are closed.