VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental realizou-se em Salvador, Bahia

Dalva Mansur, a secretária executiva do IPEDS na Bahia

Dalva Mansur, a secretária executiva do IPEDS na Bahia

Por: Dalva Mansur

A cidade prometia. Afinal, Salvador foi a primeira capital brasileira e carrega magia no nome. Resolvi matar as saudades da cidade que tanto frequentei, mas não visitava há mais de 10 anos. Ela estava lá, como uma princesa, incrustada no mar da Bahia; mas também como uma plebeia, com todas as características de invasão, falta de planejamento urbano, onde o ambiente é agredido nas encostas, faixas marginais de proteção, topos de morro e línguas negras – muitas línguas negras – que me impediram de entrar na água da praia em frente ao hostel onde me alojei.

O fórum que tinha grandes pretensões parecia que não acreditava em si próprio pois, no primeiro dia, não havia água para beber. Perguntei no bar se tinha água e me responderam que estava no engarrafamento. Perguntei: no engarrafamento da água ou no engarrafamento do trânsito? E a moça me disse: não sei – com aquele simpático sotaque baiano… Depois, tentando verificar minha posição na apresentação não tinha ninguém para responder. Soube que se justificava, porque o governador tinha chegado e todos estavam atendendo ao governador… Na verdade, só no dia seguinte consegui entender que trocaram a minha apresentação, mas aceitaram colocar meu banner no lugar certo.

Já a educação ambiental, disse-me a garçonete do mercado modelo, já ouvira falar no curso que fizera, mas meio ambiente ela não via preservado não; era só assunto de ouvir falar. Motoristas estressados resolvem ultrapassar em frente aos pontos de ônibus deixando a clientela a esperar horas por um transporte. Restam os táxis. Os taxistas, muito simpáticos, fazem o possível para cobrar menos, porque eles mesmos reconhecem que o custo é grande por aqui; a cidade se espalhou e as distâncias são grandes, com engarrafamentos maiores ainda.

Assim foi também o VII Fórum Brasileiro de Educação Ambiental: grande, engarrafado e simpático! As coisas não funcionavam, mas as pessoas eram tão simpáticas. O melhor era não ligar mesmo, afinal, estávamos em Salvador! Pena, pois havia muitos trabalhos interessantes que poderiam ser mais bem aproveitados, se fossem feitas salas de apresentação de painéis em conjunto, com discussão entre as pessoas. Era necessário andar muito pelos corredores do Centro de Convenções para encontrar o Auditório Yemanjá , ou o Salão Oxalá Pleno… Foi lá que ouvi os melhores painéis, sobre educação ambiental no âmbito empresarial.

Discurso uníssono

Em uma roda de discussão sobre unidades de conservação, tivemos oportunidade de conhecer o trabalho do pessoal de Tocantins, sobre fogo, e o gestor de ambiente do exército, em Salvador, confirmou que tem sob sua responsabilidade várias áreas de reserva que estão sendo preservadas. Em nossa região, Bacia do São João, as áreas mais preservadas estão com a Marinha, simplesmente porque eles cumprem aquilo ao qual se propõem. Simples assim. Acho que a educação ambiental deveria incentivar nossos executivos municipais a terem comportamentos tão simples como os dos militares; se é para preservar, vamos preservar!

Educação ambiental: definições e perspectivas muito vagas… Uma das poucas afirmações foi de que a rede de educadores ambientais tem capilaridade, formada por atores locais e inúmeras experiências, que devem ser mantidas. Corremos para a perspectiva para a Rio + 20, onde esperávamos falas contundentes, mas faltou isso. Ficamos entre mulheres, Rebal, UCs, etc. A transversalidade, que é o verdadeiro mote da educação ambiental e da educação formal, foi muito pouco discutida.

Mas valeu a pena! Valeu, porque divulgamos nosso trabalho e o Comitê da Bacia Lagos São João. Sempre vale. Valeu para saber que a educação ambiental é vista como um recurso de mudança social. Valeu aprender algo mais e chegar à conclusão que o importante é estar lá e participar do maior número de eventos possíveis, conhecer pessoas e constatar que este enorme Brasil tem discurso uníssono quando se trata de educação ambiental. Isto já é muito, pois revela que, apesar de nossas diferenças, temos um viés de objetivos comuns e valores universais que nos fazem agir de forma conceitualmente coordenada.

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