Projeto Juturnaíba Viva contribui para melhorar a qualidade da água

Visita técnica ao Reservatório de Juturnaíba, em Silva Jardim. (Fotos: Divulgação/Acervo da AMLD)

Visita técnica ao Reservatório de Juturnaíba, em Silva Jardim. (Fotos: Divulgação/Acervo da AMLD)

Um projeto pioneiro, que teve início em 2010, nos municípios de Silva Jardim e Rio Bonito, vem contribuindo para a melhoria da qualidade da água do Reservatório de Juturnaíba, que abastece os municípios da Bacia Hidrográfica Lagos São João. Desenvolvido nas principais microbacias dos rios contribuintes do Rio São João, o Projeto Juturnaíba Viva tem como objetivo colaborar com a conservação do maior manancial genuinamente fluminense: o Reservatório de Juturnaíba. Segundo Luis Paulo Ferraz, secretário executivo da Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD), organização não governamental executora do projeto, os esforços se concentraram nas microbacias dos rios Capivari, Bacaxá e Cambucaes, que mais contribuem para o abastecimento do reservatório. Luis Paulo também destaca as parcerias na execução do projeto: o Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), o Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ), através da sua Câmara Técnica de Microbacias, o Instituto Chico Mendes (ICMBio), órgão do Ministério do Meio Ambiente, e as prefeituras locais. Patrocinado pelo Programa Petrobras Ambiental, o projeto terminará a fase atual em abril de 2012.

Viveiro florestal incentivado pelo projeto

Viveiro florestal incentivado pelo projeto

O Juturnaíba Viva está promovendo a restauração florestal de 60 ha de áreas de preservação permanente (APPs), priorizando a regeneração natural. Para isto, foram feitas ações de diagnóstico, planejamento e educação ambiental nas comunidades de Imbaú, na microbacia do rio Capivari, e de Cambucaes onde há um assentamento de reforma agrária, localizado no entorno da Reserva Biológica de Poço das Antas, entre outras. Segundo a coordenadora de Extensão Ambiental da AMLD, Maria Inês, o projeto inclui a construção de 7 viveiros florestais, para fornecimento de mudas nativas e geração de renda para os agricultores.

Região produtora de água

Foram utilizadas no projeto metodologias inovadoras do CBHLSJ, como o processo Comunidades em Ação em Microbacias (CAM), que produz diagnósticos ambientais participativos, e o incentivo a pequenas e médias propriedades rurais, através do Fundo de Boas Práticas Socioambientais em Microbacias (FUNBOAS). Gerido pela Câmara Técnica de Microbacias do CBHLSJ, o FUNBOAS contemplou 14 famílias de Cambucaes e Imbaú, em Silva Jardim. Entre as ações educativas, se destacam a formação de professores nas escolas de Silva Jardim, que participaram do curso “Redescobrindo a Mata Atlântica”, sobre conservação dos recursos hídricos e biodiversidade, a realização de 15 oficinas e de um Seminário Regional de Educação Ambiental, coordenados pela educadora Nandia Xavier, da AMLD.

Equipe da Educação Ambiental com professores do Projeto Redescobrindo a Mata Atlântica

Equipe da Educação Ambiental com professores do Projeto Redescobrindo a Mata Atlântica

Uma das preocupações do projeto foi estabelecer uma estratégia de comunicação, através de folhetos, placas e painéis, visando um diálogo com a sociedade. Temas ligados à gestão do meio ambiente foram divulgados pelo programa radiofônico “Nossas Águas Nosso Chão”, ancorado pelo jornalista Mário Dimas, que alcança toda a bacia do Rio São João. No ar aos sábados, pela manhã, na Rádio Litoral AM 1250, ou pelo site www.litoralam.com.br, o programa divulga ações do projeto e discute assuntos como as mudanças no Código Florestal, políticas para agricultura familiar, uso racional dos recursos hídricos, reserva legal, restauração florestal e outros.

Entre as ações desenvolvidas, destaca-se ainda o Plano Ambiental de Conservação e Uso do Entorno na Faixa Marginal de Proteção do reservatório, feita em parceria com o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o CILSJ e as concessionárias Águas de Juturnaíba e Prolagos. Neste sentido, está sendo elaborado um trabalho de monitoramento físico, químico, bacteriológico e de sedimentos, que contemplará a análise da qualidade hídrica à montante do reservatório, nos rios Capivari, Bacaxá e São João, além do próprio reservatório.

A bacia do São João tem uma vocação natural para práticas de sustentabilidade ambiental, com potencial para o turismo sustentável. A região é produtora de água, que depende da qualidade das florestas e resguarda uma biodiversidade das mais importantes do mundo. Projetos como o Juturnaíba Viva não vão, isoladamente, resolver os grandes desafios, mas podem contribuir para a valorização desse perfil regional. Mais informações no site: www.juturnaiba.micoleao.org.br

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