Realizada Oficina de Especialistas, na Serra da Castelhana, em Saquarema

O grupo que participou ativamente da Oficina de Especialistas no Hotel Serra da Castelhana, em Saquarema. (Fotos: Edimilson Soares)

O grupo que participou ativamente da Oficina de Especialistas no Hotel Serra da Castelhana, em Saquarema. (Fotos: Edimilson Soares)

O Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), em parceria com o WWF Brasil e o HSBC, realizou em agosto uma Oficina de Especialistas no Hotel Serra da Castelhana, em Saquarema. Desde que foi criado, no início de 2010, o Grupo de Trabalho sobre Mudanças Climáticas, do Comitê de Bacia Lagos São João, está desenvolvendo análises, com objetivo de identificar as vulnerabilidades ambientais, sócio-econômicas e político-institucionais, visando a definição de diretrizes para uma gestão adaptativa da bacia.

A necessidade de desenvolver uma Análise de Vulnerabilidade da Bacia Lagos São João se deu após a realização da oficina de trabalho A Bacia Hidrográfica da Região dos Lagos e do Rio São João frente aos desafios das Mudanças Climáticas e os impactos sobre os recursos naturais, especialmente os hídricos, realizada em dezembro de 2009, em Araruama. Como encaminhamento, criou-se um Grupo de Trabalho de Mudanças Climáticas, para inserir o tema na pauta do Comitê. O grupo tem como atribuição desenvolver um programa de mudanças climáticas, contendo planos de mitigação e adaptação ao clima, e para isso se faz necessário o desenvolvimento de uma análise de vulnerabilidade.

O primeiro passo da Análise de Vulnerabilidade foi o desenvolvimento de uma Análise de Risco à Integridade Ecológica da Bacia. Para tal, está sendo construído um Sistema de Informações Geográficas, onde os dados geográficos da bacia são reunidos e qualificados, visando à espacialização das principais ameaças da bacia. Também foi feita a identificação das unidades de planejamento, que correspondem às microbacias da Bacia Lagos São João.

A etapa seguinte previa a realização de um painel de especialistas. A 1° Oficina de Especialistas da Bacia Hidrográfica Lagos São João realizou-se nos dias 20 e 21 de agosto, sendo uma etapa fundamental da análise, que prevê a aplicação de um método para a identificação dos impactos aos ecossistemas, para dar suporte ao cálculo do Índice de Risco Ecológico da Bacia. O objetivo do encontro foi identificar as ameaças aos ecossistemas, e definir seus graus de severidade e medidas de frequência; e definir a sensibilidade das unidades de planejamento às ameaças.

Durante a oficina, foram analisadas as ameaças ou “estressores” que impactam a Bacia Lagos São João

Durante a oficina, foram analisadas as ameaças ou “estressores” que impactam a Bacia Lagos São João

A oficina contou com a participação de especialistas de diferentes perfis e áreas do conhecimento, num exercício multidisciplinar. Esses especialistas, ressalta Denise Spiller, “são aqueles que conhecem o território da bacia”, e portanto fizeram parte deste painel geólogos, biólogos, engenheiros e também pescadores e agricultores. Segundo Glauco Kimura, do WWF-Brasil, na oficina foram identificados 16 ameaças, entre os quais os leitos retificados dos rios, que foram grandes intervenções ocorridas no passado, que alteraram os aspectos hidrológicos desses ecossistemas, podendo os seus impactos serem potencializados pelas mudanças do clima.

“Estamos trabalhando com esta lista de estressores. O estudo, por ser pioneiro, vai retratar a situação ambiental da bacia e as vulnerabilidades atuais. Futuramente, vamos agregar novas análises, mas esse é o primeiro passo, importantíssimo para o planejamento ambiental”, explica Glauco. Já Angelo Lima, também do WWF-Brasil, destaca o método adotado na Oficina de Especialistas que exige complementaridade e possibilita discussão.

“É por isso que estamos ouvindo os especialistas, sabendo o que temos que complementar, para que a análise da vulnerabilidade seja completa. O próximo passo é a construção dos mapas das vulnerabilidades. Para cada estressor da bacia, vamos construir um mapa, até chegar ao somatório de todos os estressores. Todas as ameaças serão identificadas e poderão ser observadas onde acontecem. Depois, faremos um mapa único”, conclui.

Este mapa final permitirá a comparação visual das áreas vulneravéis e a identificação das unidades onde os esforços de conservação dos recursos hídricos devem ser priorizados. O resultado deste trabalho será apresentado posteriormente ao Comitê Lagos São João para discussão, e para que possa ser incorporado ao Plano de Bacia e utilizado como um instrumento essencial à gestão das águas.

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