O Atlas da Mata Atlântica

O Dia Nacional da Mata Atlântica foi comemorado no dia 27 de maio e, para marcar a data, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Ministério da Ciência e Tecnologia lançaram a nova versão do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica. O documento retrata a situação de 16 dos 17 estados do país, que constituem o Bioma Mata Atlântica, de 2008 a 2010, com exceção do Piauí, que ainda não foi mapeado. No ranking do desmatamento, os 10 estados em situação mais crítica são: Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás; Rio de Janeiro está em oitavo lugar, seguido do Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

Nos 16 estados analisados, foram verificadas quedas na taxa média anual de desflorestamento. Em Minas Gerais, a taxa média anual caiu 43%, referente ao período de 2005- 2008. Minas Gerais possuía originalmente 46% do território coberto de Mata Atlântica, mas agora restam apenas 10,04%. Os novos dados do Atlas da Mata Atlântica indicam também a perda de cobertura nativa por municípios, feita através do IPMA (Índice de Preservação da Mata Atlântica), indicador criado pela SOS Mata Atlântica e pelo INPE, através do qual foi possível ranquear os municípios que mais possuem cobertura vegetal nativa e os que mais desmatam. Minas Gerais lidera o ranking, com as 3 cidades que mais desmataram, de 2008 a 2009: Ponto dos Volantes, Jequitinhonha e Pedra Azul. Em 4° lugar, ficou a cidade baiana de Andaraí e, em 5°, outro município mineiro: Águas Vermelhas.

O primeiro mapeamento dos remanescentes da Mata Atlântica foi publicado em 1990, com a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Em 2010, a 6° edição do estudo trouxe dados atualizados de 9 estados: Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O documento apresentava mapas e estatísticas globais e por estado, elaborados com base nas imagens transmitidas pelo satélite Landsat 5 que leva a bordo o sensor Thematic Mapper.

Mais completa e abrangente, a nova edição contém dados e mapas que podem ser acessados pela internet, no site do INPE, www.inpe.br, no site www.sosma.org.br ou no servidor de mapas http://mapas.sosma.org.br. A novidade fica por conta da identificação, localização e situação dos principais remanescentes florestais existentes nos municípios. No Rio de Janeiro, os 10 municípios com maiores desmatamentos são, pela ordem: São Fidelis, Campos dos Goytacazes, Resende, Trajano de Moraes, Cantagalo, Macaé, Sumidouro, Nova Friburgo, Barra do Piraí e Paraty.

Segundo o novo Atlas, “A Mata Atlântica, complexo e exuberante conjunto de ecossistemas de grande importância, abriga parcela significativa da diversidade biológica do Brasil, reconhecida nacional e internacionalmente no meio científico. Lamentavelmente, é também um dos biomas mais ameaçados do mundo devido às constantes agressões ou ameaças de destruição dos habitats nas suas variadas tipologias e ecossistemas associados. Desde o descobrimento do Brasil pelos europeus, os impactos de diferentes ciclos de exploração, da concentração das maiores cidades e núcleos industriais e da alta densidade demográfica, entre outros, fizeram com que a vegetação natural fosse reduzida drasticamente. Temos hoje apenas 7,9% (101.779 km2) de remanescentes mais preservados em áreas acima de 100 hectares”.

São iniciativas assim que contribuem objetivamente para a preservação da Mata Atlântica.

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