Estudar para Cuidar

A 1ª Expedição de Gestão e Pesquisa ao Rio São João

Um seleto grupo de ambientalistas formado por pesquisadores, biólogos, veterinários, administradores, geógrafos, agrônomos, comunicadores, percorreu os 120 km, da nascente à foz do Rio São João, para conhecer, registrar, coletar amostras e pesquisar este rio, que revelou aos participantes sua beleza e agonia no curso das águas percorridas. Durante os três dias de expedição (entre 26 e 28 de julho de 2010) foi possível observar a degradação ambiental em quase todo o percurso do rio, salvo o trecho preservado que corta a Reserva Biológica Poço das Antas. O foco da pesquisa “Estudar para Cuidar” foi levantar dados para uma avaliação detalhada sobre as áreas degradadas e possíveis ações de recuperação, visando a sustentabilidade da região da bacia hidrográfica do Rio São João.

Todo manancial de água para abastecer a Região dos Lagos vem da bacia do São João, que enfrenta entre seus mais graves problemas, a poluição, o assoreamento, o extirpamento das matas ciliadas, a agropecuária e agricultura margeando e desestruturando o rio e o represamento. Mas isto não quer dizer que tudo está perdido; há possibilidades de reversão e recuperação da bacia, como por exemplo através do programa Fundo de Boas Práticas Ambientais em Microbacias, que visa a recompensa em Pagamento por Serviços Ambientais, valorizando, apoiando e instruindo a população ribeirinha a compreender a importância da gestão e preservação dos recursos hídricos na região.

Os órgãos que promoveram em conjunto essa iniciativa foram, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), APA da Bacia do Rio São João, Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos Rio São João, apoiados pelas prefeituras locais, entre outras instituições que fazem parte da região da bacia e o WWF-Brasil, que elaborou um diário de bordo sobre os dias de expedição com imagens, depoimentos e muitas observações, que servirão de base para futuros projetos. O WWF vem atuando nesta área, juntamente com o Consórcio Intermunicipal Lagos São João, desde 1999, e recentemente vem avaliando e direcionando ações necessárias de adaptação às mudanças climáticas. Neste sentido, realizou-se uma oficina e foi criado um Grupo de Trabalho (GT) de Mudanças Climáticas no âmbito do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João que, de posse de todas essas informações, já elabora estudos para prevenir, contornar e enfrentar os grandes desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Na mensagem sutil que a natureza transmite, a sensibilidade humana precisa captar seu pedido de socorro, tornar o mais natural possível, de forma respeitosa, sustentável, a relação vital que existe entre as pessoas e a água, pois sem água não há vida. A 1ª expedição ao Rio São João foi uma excelente oportunidade de pesquisa, educação ambiental e fomento a novas propostas para um futuro promissor na gestão dos recursos hídricos da Bacia do São João.

Veja mais informações no site: riosaojoao.posterous.com

1ª Expedição ao Rio São João – Ficha Técnica

Organizadores: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio)/Ministério do Meio Ambiente (MMA), Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio São João e Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ).

Participantes: pesquisadores, biólogos, veterinários, administradores, geógrafos, agrônomos, comunicadores.

Convidado: WWF-Brasil, ONG que atua na região desde 1999, em parceria com o Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) e viu, nesta expedição, uma excelente oportunidade de direcionar ações necessárias à adaptação às mudanças climáticas. A WWF fez também um diário de bordo da expedição, com depoimentos, imagens e observações técnicas relevantes.

Apoio: prefeituras e outras instituições localizadas na bacia.

Objetivos: realizar um diagnóstico da bacia, da nascente à foz, com o intuito de identificar vulnerabilidades e potencialidades sociais e ambientais, como também pesquisas para aprimoramento da gestão ambiental da região.

Rota: Rio Bonito; Reserva Biológica Poço das Antas; Vilarejo dos Gaviões; Represa de Juturnaiba;

Problemas detectados:
Carvoaria clandestina; matas ciliadas extirpadas, áreas úmidas drenadas; assoreamento do rio, desbarrancamento das margens, elevação da calha do rio; agropecuária, agricultura; esgoto, ameaça à biodiversidade, dificuldades impostas à piracema; introdução pelo poder público do peixe amazônico Tucunaré, que é um peixe apreciado, porém agressivo; e a infeliz idéia de retificação do rio com o fracassado propósito de extinguir mosquitos transmissores de doenças e ocupar as terras alagadas com agricultura, o que não ocorreu, porque a entrada do mar pôs um fim trágico a esta iniciativa do governo militar.

Soluções: Aplicar o Fundo de Boas Práticas Socioambientais em Microbacias para a população ribeirinha, com finalidade de conservação e gestão dos recursos hídricos, sob pena de multa e prisão, além de suspensão do Pagamento por Serviços Ambientais, no caso de descumprimento, entre outros projetos que estão sendo elaborados em diversas áreas para melhor uso e sustentabilidade do Rio São João.

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