Voz das Águas – Edição 13

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Voz-das-Aguas-13Matérias desta edição:

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Eleição e renovação do Consórcio Intermunicipal Lagos São João reúne todas as prefeituras da região

Prefeitos, deputados e técnicos do Governo do Estado unidos na defesa do ambiente (Foto: Michele Maria)

Prefeitos, deputados e técnicos do Governo do Estado unidos
na defesa do ambiente (Foto: Michele Maria)

O prefeito Cláudio Chumbinho, de São Pedro da Aldeia, foi eleito presidente do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), para um mandato de 2 anos, tendo como vice a prefeita de Iguaba Grande, Grasiella Magalhães. O secretário executivo do CILSJ, biólogo Mário Flávio Moreira, foi reconduzido ao cargo. A eleição foi durante uma reunião bastante concorrida no Teatro de São Pedro da Aldeia, com a presença de praticamente todos os prefeitos da região, além de vereadores, secretários municipais de meio ambiente, pescadores, lideranças comunitárias, ambientalistas, representantes de organizações não governamentais, associações e sindicatos rurais, entre outros.

Os prefeitos reafirmaram a disposição de participar com maior empenho nas ações do CILSJ.  Além dos prefeitos e secretários de meio ambiente, fazem parte do Conselho de Associados do CILSJ, representantes das empresas concessionárias de água e esgoto, instituições governamentais do estado e federais da área de meio ambiente, empresas privadas e ONGs da região. Assim têm assento no CILSJ o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, a presidenta do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), Marilene Ramos, e os seguintes representantes municipais: prefeito de Araruama, Miguel Jeovani; de Armação dos Búzios, André Granato; de Arraial do Cabo, Wanderson Andinho; de Cabo Frio, Alair Corrêa; de Cachoeiras de Macacu, Waldecy Machado; de Casimiro de Abreu, Antônio Marcos; de Iguaba Grande, Grasiella Magalhães; de Maricá, Washington Quaquá; de Rio Bonito, Solange Almeida; de São Pedro da Aldeia, Cláudio Chumbinho; de Saquarema, Franciane Motta; e de Silva Jardim, Anderson Alexandre.

Os secretários ou coordenadores de meio ambiente na bacia são: Alan Tavares, de Araruama; Carlos Alberto Muniz, de Armação dos Búzios; David Aguiar, de Arraial do Cabo; Vanessa Lima, de Cabo Frio; Loir de Lima, de Cachoeiras de Macacu; Maurício Porto, de Casimiro de Abreu; Paulo Sergio, de Iguaba Grande; Alessandro Paz, de Maricá; Newton de Almeida, de Rio Bonito; Adriana Saad, de São Pedro da Aldeia; Gilmar Magalhães, de Saquarema; e Paulo Espíndola, de Silva Jardim. As empresas privadas que fazem parte do CILSJ são: AGM Empreendimentos Hoteleiros, Oriente Construção Civil, Rodovia Via Lagos, Concessionária Águas de Juturnaíba, Concessionária Prolagos, Construtora Mil/Villa Rio, Dois Arcos Transporte e Tratamento de Resíduos Sólidos e Tosana Agropecuária.

As organizações não governamentais (ONGs) indicadas na Plenária das ONGs são: 1º titular, Organização Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável (OADS), Adelina Volcker e/ou Ana Maria; suplente: Grupo de Educação para o Meio Ambiente (GEMA), Lucia Lopes e/ou Gleice Maira; 2° titular, Instituto de Pesquisas e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (IPEDS), Dalva Mansur; suplente, Movimento das Mulheres de Iguaba Grande (MOMIG), Zilda Santos; 3° titular, Associação de Defesa da Lagoa de Araruama (VIVA LAGOA), Yan e/ou Arnaldo Villa Nova; suplente, Associação de Pesca da Praia da Pitória, Chico Pescador; 4°titular, Associação das Mulheres Empreendedoras Acontecendo em Saquarema (AMEAS), Layla Garrido; suplente, Associação Livre dos Aquicultores das Águas do São João (ALA Foz São João), Sival Silva.

O Consórcio Intermunicipal Lagos São João foi criado em dezembro de 1999, visando a conservação, recuperação e sustentabilidade do meio ambiente, integrando governos, empresas e sociedade civil organizada. Surgido da luta ambiental, em torno da degradação da Lagoa de Araruama, que na época estava vivendo sua fase mais crítica, o CILSJ tornou-se um instrumento de ação que favoreceu o ambiente na Região dos Lagos. Em 2004, o CILSJ foi o grande fomentador da criação do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João (CBHLSJ), que corresponde a uma das 10 Regiões Hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro. Em 2010, o CILSJ que já vinha atuando como secretaria executiva do Comitê, tornou-se a entidade delegatária, funcionando como Agência de Águas, do CBHLSJ. No ano passado, o Consórcio tornou-se também delegatária do Comitê da Bacia dos Rios Macaé e Ostras.

Eleita a nova diretoria do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João

Haroldo, presidente da Câmara Técnica de Pesca, Mário Flávio, secretário do Consórcio, Anderson Alexandre, prefeito de Silva Jardim, eleito presidente do Comitê, Cláudio Chumbinho, prefeito de São Pedro da Aldeia, eleito presidente do Consórcio, e os demais membros da diretoria do CBHLSJ: o vice Carlos Gontijo, superintendente da Águas de Juturnaíba e o secretário Tulio Vagner, superintendente do INEA, além dos diretores administrativos Jaime Azulay, do Subcomitê de Saquarema, Sival Silva, do Rio São João, Dalva Mansur, do Rio Una e Ricardo Senra, de Araruama (Foto: Edimilson Soares)

Haroldo, presidente da Câmara Técnica de Pesca, Mário Flávio, secretário do Consórcio, Anderson Alexandre, prefeito de Silva Jardim, eleito presidente do Comitê, Cláudio Chumbinho, prefeito de São Pedro da Aldeia, eleito presidente do Consórcio, e os demais membros da diretoria do CBHLSJ: o vice Carlos Gontijo, superintendente da Águas de Juturnaíba e o secretário Tulio Vagner, superintendente do INEA, além dos diretores administrativos Jaime Azulay, do Subcomitê de Saquarema, Sival Silva, do Rio São João, Dalva Mansur, do Rio Una e Ricardo Senra, de Araruama (Foto: Edimilson Soares)

A eleição da nova diretoria do Comitê das Bacias Hidrográficas Lagos São João (CBHLSJ) para o biênio 2013-2015 foi no dia 6 de fevereiro, após uma cerimônia que lotou o Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia pela manhã, quando também ocorreu a eleição da nova diretoria do Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ), foi feito o lançamento do projeto de Estatística Pesqueira das Lagoas de Araruama e Saquarema e assinado um convênio com o Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos da Região dos Lagos. Com a mudança do Regimento Interno do CBHLSJ, no final do ano passado, foram criados 4 cargos de diretores administrativos, agora agregados à nova diretoria colegiada.

Foram eleitos: o presidente Anderson Alexandre, prefeito de Silva Jardim, o vice, superintendente da Concessionária Águas de Juturnaíba, o administrador Carlos Gontijo, e como secretário executivo o superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), o engenheiro civil Tulio Vagner. Os 4 diretores administrativos que tomaram posse são representantes dos 4 subcomitês da bacia: Ricardo Senra, da prefeitura de Iguaba Grande, do Subcomitê de Araruama; Jaime Azulay, da CEDAE, de Saquarema; Sival Silva,, da Associação Livre dos Aquicultores das Águas do São João (ALA Foz São João), do Subcomitê do Rio São João, e Dalva Mansur, do Instituto de Pesquisas e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (IPEDS), coordenadora do recém-criado Subcomitê do Rio Una e Cabo de Búzios.

Renovação da Plenária

A plenária, composta por instituições que representam os usuários, o poder público e a sociedade civil também teve mudanças. Cinco vagas de usuários foram destinadas ao setor de saneamento e abastecimento público: Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE), Concessionária Águas de Juturnaíba, Concessionária Prolagos e Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE Casimiro de Abreu), ficando um assento vago. As cinco vagas para o setor de pesca foram para a Colônia de Pescadores de Saquarema Z-24, a Associação dos Pescadores da Lagoa de Juturnayba, a Associação Livre dos Aquicultores das águas do São João (ALA Foz São João), a Colônia de Pescadores Z-05 de Arraial do Cabo e a Colônia de Pescadores Z-28 de Araruama; ficaram como suplentes: Associação de Pescadores da Praia da Pitória de São Pedro da Aldeia; Associação de Pescadores de Iguaba Grande; e Colônia de Pescadores Z-06 de São Pedro da Aldeia.

As associações e sindicatos rurais da bacia foram contemplados com três vagas: Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Cabo Frio; Sindicato Rural de Silva Jardim; Sindicato Rural de Casimiro de Abreu; Duas vagas para o setor de mineração: Associação das Empresas Produtoras de Areia de Silva Jardim (APAREIA) e Cooperativa dos Produtores de Areia da Bacia Hidrográfica Lagos São João (COOPASÃOJOÃO); tendo na suplência a Sociedade Industrial de Granitos (SIGIL). No setor industrial, uma vaga foi preenchida pela Biovert Florestal e Agrícola, tendo como suplente a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e foi convidada a Sartori Árvores Nativas e Reflorestamento. O setor de turismo, esporte e lazer, com duas vagas, foi preenchida apenas pelo Clube Náutico de Araruama.

A categoria sociedade civil, preencheu as suas 18 vagas, com as seguintes instituições: Arte por Arte Brasil, Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Seção Rio de Janeiro), Associação Casimirense das Pessoas com Deficiência, Associação das Mulheres Empreendedoras Acontecendo em Saquarema (AMEAS), Associação de Arquitetos e Engenheiros da Região dos Lagos (ASAERLA), Associação de Defesa da Lagoa de Araruama (Viva Lagoa), Associação de Moradores e Amigos do Mato Grosso, Associação Mico-Leão-Dourado, Associação Núcleo de Educação Ambiental da Região da Bacia de Campos, Associação Patrimônio Natural do Rio de Janeiro (APNRJ), Centro de Logística e Apoio a Natureza (CLEAN), Confederação Brasileira de Caminhadas (Anda Brasil), Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis da Região dos Lagos (COCARE), Grupo de Educação para o Meio Ambiente (GEMA), Instituto de Pesquisas e Educação para o Desenvolvimento Sustentável (IPEDS), Movimento de Mulheres de Iguaba Grande (MOMIG), Organização Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável (OADS) e Universidade Veiga de Almeida (Campus Cabo Frio).

Na categoria poder público foram preenchidas, por enquanto, 15 das 18 vagas: Câmara de Vereadores de Iguaba Grande, Prefeitura Municipal de Araruama, Prefeitura Municipal de Armação dos Búzios, Prefeitura Municipal de Arraial do Cabo, Prefeitura Municipal de Cachoeiras de Macacu, Prefeitura Municipal de Casimiro de Abreu, Prefeitura Municipal de Iguaba Grande, Prefeitura Municipal de Rio Bonito, Prefeitura Municipal de São Pedro da Aldeia, Prefeitura Municipal de Saquarema, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-RJ), Departamento de Recursos Minerais do Estado do Rio de Janeiro (DRM-RJ), Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (FIPERJ), Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e Secretaria de Estado do Ambiente (SEA-RJ).

O Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João é um órgão colegiado onde são debatidas todas as decisões referentes à gestão das águas, como previsto em lei e determinado pelo Conselho Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (CNRH). Criado em 8 de dezembro de 2004 e instalado em 23 de fevereiro de 2005, o CBHLSJ é uma instância de decisão política-administrativa, com poder de deliberação sobre todas as ações que interferem na bacia hidrográfica. Cabe ao Comitê assegurar o bom uso das águas, para que as futuras gerações também possam usufruir deste bem finito e indispensável à vida, na perspectiva do desenvolvimento sustentável.

Estiveram presentes na mesa de autoridades, o subsecretário estadual do Ambiente, Luiz Firmino; o secretário estadual de Desenvolvimento Regional , Abastecimento e Pesca, Felipe Peixoto; o presidente da FIPERJ, José Bonifácio; o representante do Ministério da Pesca, Sergio Henrique; o deputado estadual, Janio Mendes; o secretário executivo do CILSJ, Mário Flávio; os anfitriões da reunião, Cláudio Chumbinho, prefeito de São Pedro da Aldeia, Iédio Rosa, vice, e Adriana Saad, secretária de meio ambiente; as prefeitas Graziella Magalhães, de Iguaba Grande; Franciane Motta, de Saquarema; Solange Pereira, de Rio Bonito e os prefeitos Miguel Jeovani, de Araruama; Alair Correa, de Cabo Frio; Andinho, de Arraial do Cabo; André Granato, de Búzios; Anderson Alexandre, de Silva Jardim; Washington Quaquá, de Maricá e Ezequiel da Costa (vice-prefeito), representando o prefeito Antonio Marcos de Casimiro de Abreu.

Planos Municipais de Saneamento Básico

O professor Nicolau, em pé, detalhando os Planos Municipais de Saneamento Básico na reunião com técnicos e secretários municipais de Meio Ambiente, realizada no Consórcio Intermunicipal Lagos São João, em Araruama (Foto: Edimilson Soares)

O professor Nicolau, em pé, detalhando os Planos Municipais de Saneamento Básico na reunião com técnicos e secretários municipais de Meio Ambiente, realizada no Consórcio Intermunicipal Lagos São João, em Araruama (Foto: Edimilson Soares)

Entrevista com Nicolau Ubladen, coordenador dos PMSBs na bacia Lagos São João

O saneamento básico começou a viver um novo momento no país, desde que se estabeleceu a Lei 11.445, de 2007, que criou a Política Nacional de Saneamento Básico (PNSBs) e a Lei 12.305, de 2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Visando a universalização do saneamento básico, nas cidades e no campo, cujas diretrizes foram traçadas pelo governo federal, o governo do Estado do Rio de Janeiro estabeleceu em 2011 o Pacto pelo Saneamento, com 4 focos – água, esgoto, drenagem e lixo.

Na Região dos Lagos, o Pacto pelo Saneamento foi assinado entre o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e a Serenco, uma empresa de engenharia, projetos e consultoria, para construir os 8 Planos Municipais de Saneamento Básico, em julho de 2012, em Cabo Frio. Os 8 municípios contemplados pelo contrato são: Saquarema, Araruama, Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Armação de Búzios e Silva Jardim. A Serenco começou no segundo semestre do ano passado a elaboração dos Planos Municipais de Saneamento Básico (PMSBs), de forma participativa, ouvindo a comunidade, como preconiza a lei.

Uma entrevista exclusiva ao jornal Voz das Águas, com o professor Nicolau Ubladen, engenheiro responsável pelos PMSBs dos 8 municípios na Bacia Hidrográfica Lagos São João, revela as etapas já implementadas na região. Engenheiro civil, formado na Universidade Federal do Paraná e sanitarista pela Universidade de São Paulo, o professor Nicolau Trabalhou no Ministério da Saúde, foi professor da Universidade Federal do Paraná e da PUC, onde fundou o curso de engenharia ambiental. Como coordenador, está acompanhando todas as fases dos PMSBs na região que ele não conhecia, mas pela qual está encantado, por seus recursos naturais e suas belas paisagens.

Voz das Águas: Os Planos Municipais de Saneamento Básico visam 4 pontos: o sistema de abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a drenagem e o manejo das águas pluviais e, por último, a limpeza urbana e o manejo dos resíduos sólidos. Em que fase está o trabalho?

Nicolau: Já passamos pela primeira fase, que foi elaborar o nosso Plano de Trabalho e apresentá-lo aos atores envolvidos. A segunda, é o Plano de Mobilização e Comunicação Social, que estamos vivenciando agora, nos municípios. A terceira será a caracterização dos municípios em termos de população, bacia hidrográfica, geografia, relevo e clima. A quarta está ligada ao diagnóstico do sistema de água, esgoto e drenagem. E a quinta etapa é a de resíduos sólidos. No final, os municípios terão os seus Planos de Saneamento Básico e o de Resíduos Sólidos.

VA: Quais são os principais problemas da região?

Nicolau – A região fica no nível do mar ou da lagoa; a declividade para o sistema de drenagem é bastante comprometida e causa problemas com as águas pluviais. Outro complicador para preservar as Lagoas de Saquarema e Araruama foi a implantação, há mais de 10 anos, do tratamento de esgoto em sistema de “tempo seco”, que foi uma solução na época, mas chegou a hora de fazer uma revisão.

VA: Quais são os próximos passos?

Nicolau – No momento, é o trabalho de mobilização social, até para conhecer a realidade local. Por determinação do INEA, a consulta pública acontece enquanto os técnicos fazem estudos para adequação dos projetos. Essa é a fase atual. A próxima será a das previsões populacionais, porque o projeto é para 20 anos; é preciso conhecer para poder fazer esta estimativa.  Nossa função é estudar a região e preparar a próxima fase, que é a montagem dos cenários futuros nesses municípios, com medidas propostas para 20 anos, com as metas de curto, médio e longo prazo. Com essa matriz vamos definir quais são os programas elencados, interagindo com o destino e não deixando por conta do acaso, atendendo às metas de universalização do saneamento básico previstas no plano nacional, com água, esgoto, tratamento do lixo e drenagem para todos. E quanto isso vai custar, quem vai pagar, a participação dos governos, etc. Nas consultas públicas,  tudo está sendo discutido e planejado. No final, vamos reunir essas informações para formatar um plano regional de interação entre os 8 municípios, que seguirá para cada Câmara de Vereadores, para ser transformado em lei.

VA: Qual a importância do Plano de Saneamento? 

Nicolau – Daqui pra frente nada será feito sem o Plano de Saneamento. O Plano de Saneamento vai permitir que o município tenha recursos para aplicar em drenagem e resíduos, por exemplo. O plano é como a bíblia; eu posso ir para o céu ou o inferno, com a bíblia na mão; depende de como vou interpretar a bíblia. É preciso ter consciência do que se está fazendo; propiciar ao cidadão que ele seja consciente. Mostrar como funciona, não esconder nada, como acontece em muitos municípios…

VA: Como o senhor avalia a ocupação do solo?

Nicolau – O homem provocou desequilíbrio e os problemas se agravarão. Não houve preocupação com a topografia; mudaram características das áreas ocupadas. Agora precisamos encontrar meios de conviver com esta situação e corrigi-la através dos avanços das tecnologias. Aí entra o trabalho da Serenco, viabilizando o trabalho das prefeituras, através da construção dos PMSBs.

 

2013: Ano Internacional de Cooperação pela Água

Desde que foi criado em 1992, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Mundial da Água é comemorado em 22 de março, oportunidade que os países têm de fazer reflexões e ações voltadas para a preservação da água, este fabuloso recurso natural, que é finito e vem se degradando ao longo dos séculos. Para chamar a atenção para a importância da água, a preocupação da ONU não foi em vão, pois apesar de 75% da superfície do planeta Terra ser recoberta por massas líquidas, a água doce não representa mais do que 3% desse total. Apenas um terço da água doce dos rios, lagos, lençóis freáticos superficiais e atmosfera é acessível; o restante está concentrado em geleiras, calotas polares e lençóis freáticos profundos.

Assim, o Dia Mundial da Água gerou análises, processos de conscientização e elaboração de medidas práticas para resolver os graves problemas decorrentes do mau uso da água. Na ocasião da criação desta importante data, a ONU divulgou também a Declaração Universal dos Direitos da Água, apresentando uma série de medidas, sugestões e informações que servem para despertar a consciência ecológica da população e dos governantes para a questão da água. Porém, apesar de todas estas iniciativas, cerca de 11% da população mundial ainda não possui acesso à água potável e 37% vive sem redes de esgoto.

Para tentar mudar essa realidade, em dezembro de 2010, a Assembleia das Nações Unidas declarou o ano de 2013 como o Ano Internacional de Cooperação pela Água, com base em uma proposta de um grupo de países iniciada pelo Tajiquistão. Em agosto de 2011, a UNESCO foi oficialmente nomeada pela ONU para liderar os preparativos para o Ano Internacional e o Dia Mundial da Água em 2013. A cooperação pela água tem múltiplas dimensões, incluindo aspectos culturais, educacionais, científicos, religiosos, éticos, sociais, políticos, jurídicos, institucionais e econômicos.

A abordagem multidisciplinar é essencial para entender as várias facetas implícitas no conceito e agregar diversos aspectos em uma visão holística. Além disso, para ser bem sucedida e duradoura, a cooperação pela água precisa de um entendimento comum, interdisciplinar, do que sejam as necessidades e os desafios quanto ao uso da água. Construir um consenso sobre as respostas adequadas a estas questões será o foco principal do Dia Mundial da Água, em 2013, e do Ano Internacional de Cooperação pela a Água.

Estatística pesqueira nas lagoas de Araruama e Saquarema já aponta primeiros resultados

Os recenseadores treinados para fazer a Estatística Pesqueira,  juntos com os representantes da pesca na região (Foto: Michele Maria)

Os recenseadores treinados para fazer a Estatística Pesqueira, juntos com os
representantes da pesca na região (Foto: Michele Maria)

Um trabalho inédito de Estatística Pesqueira nas lagoas de Araruama e Saquarema, com objetivo de monitorar e acompanhar todo o processo produtivo da pesca local, foi lançado no início de ano, através de uma parceria entre o Comitê de Bacia Lagos São João (CBHLSJ), o Consórcio Intermunicipal Lagos São João (CILSJ) e a Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (FIPERJ), vinculada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca. O termo de cooperação foi assinado durante evento anual de avaliação das ações ambientais na região, realizado no Teatro Municipal de São Pedro da Aldeia, quando também foram renovadas as diretorias do CBHLSJ e CILSJ.

A Estatística Pesqueira está inserida na meta de reverter o quadro de declínio pesqueiro na região, que há muito sofre com a degradação dos sistemas lagunares e assiste a diminuição do estoque de pesca, uma realidade que compromete não só o equilíbrio ecológico, mas também o econômico e o social. Iniciado em 17 de janeiro, o projeto, conta inicialmente com 15 coletores capacitados, que já estão atuando em 26 pontos na Lagoa de Araruama, num total de 5 municípios – Arraial do Cabo, Cabo frio, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande e Araruama – e em 7 pontos na Lagoa de Saquarema.

O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca, Felipe Peixoto, anunciando a Estatística Pesqueira nas lagoas de Araruama e Saquarema (Foto: Edimilson Soares)

O secretário estadual de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca, Felipe Peixoto, anunciando a Estatística Pesqueira nas lagoas de Araruama e Saquarema (Foto: Edimilson Soares)

A experiência da equipe de profissionais, responsáveis pelos dados oficiais da produção pesqueira do Rio de janeiro, dá ao projeto segurança no desenvolvimento das ações, graças ao termo de cooperação técnica assinado entre o secretário de Estado de Desenvolvimento Regional, Abastecimento e Pesca, Felipe Peixoto, o presidente da FIPERJ, José Bonifácio, e o prefeito de São Pedro da Aldeia e presidente eleito do CILSJ, Cláudio Chumbinho. Em menos de um mês, os primeiros dados do monitoramento parcial já são conhecidos, num total de 27.151 kg de pescado desembarcados.

O município de São Pedro da Aldeia é o principal ponto de desembarque das duas lagoas, com 12.611 kg, sendo 10.414 kg de peixes e 2.197 de crustáceos. Em seguida, vem Araruama, com 4.413 kg de peixes; depois, Arraial do Cabo, com 3.779 kg de peixes e 14 kg de crustáceos; Saquarema, com 2.553 kg de peixes e 317 de crustáceos; Cabo Frio, com 2.603 kg de crustáceos; e Iguaba Grande, com 861 kg de peixes. A Estatística Pesqueira vai viabilizar pesquisas, acompanhamento de peixes e crustáceos, inclusive identificando o momento ideal para o defeso das espécies e, nas palavras de Felipe Peixoto, “tornar o estado do Rio no melhor local para a instalação de empresas ligadas ao setor pesqueiro”.